Ninguém Está Imune ao Medo

“Contágio” abre com Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) voltando para casa após uma viagem de trabalho. Após um mal-estar, ela é internada e vem a falecer devido a uma estranha doença. É então que se inicia uma extensa investigação para determinar a origem da enfermidade e uma possível cura.

A paranóia é manifestada na tela de maneira sutil e eficaz: através de diversos planos-detalhes de pessoas tocando objetos, como maçanetas e copos – sendo que já havia sido explicado que o contato era o método de transmissão mais eficaz. É impossível não sair dos cinemas lavando as mãos, ou contando quantas vezes você toca o rosto por minuto. O texto ainda é bem sucedido ao mostrar como as pessoas, em meio a uma situação extrema, tornam-se mais perigosas que a doença em si

“Contágio” já inicia com diversas cenas de diferentes cidades, ressaltando as várias pessoas que serão atingidas em breve pelo vírus e instituindo desde cedo, a idéia de que aquele será um problema global. Além disso, a opção pela inserção de letreiros, que ilustram a passagem de tempo durante a projeção, serve não só para demonstrar a velocidade com que o caso se espalha (algo também ilustrado pelas imagens de aeroportos, academias e até igrejas completamente vazias), como ainda guarda uma boa surpresa para o final.

Entretanto, esse estilo de montagem, que privilegia o uso de cortes secos e grandes saltos temporais, acaba sendo o maior defeito do filme, pois distancia o público dos personagens – o que cria indiferença aos seus dramas pessoais.

Tal frieza parece ter sido planejada, já que o personagem de Matt Damon, suposto protagonista da história, acaba se tornando apenas um artifício de roteiro para mostrar como as pessoas comuns estão reagindo àquela situação. A estratégia, porém, acaba por ignorar completamente o fato de ele ter acabado de perder a sua esposa e o seu enteado, e ainda ter descoberto da pior maneira possível que sua mulher era infiel.

Em resumo, “Contágio” é um filme que faz muito bem aquilo à que se propõe. Sua história é densa, mas não a ponto de se tornar excessivamente complicada e todos os seus (diversos) personagens principais são relevantes, cada um do seu jeito.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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